Como cobrar por uma consulta jurídica?

Primeiramente, ou como dizem os advogados mais rebuscados, preambularmente, faço aqui uma explicação sobre a palavra história escrita com e. Segundo a Wikipédia, estória é um neologismo proposto por João Ribeiro (membro da Academia Brasileira de Letras) em 1919, para designar, no campo do folclore, a narrativa popular, o conto tradicional. Utilizo pois esse termo, neste breve escrito para simbolizar que iremos falar de uma estória, no termo popular, de uma ficção jurídica.

Segundo uma pesquisa sem referência, apenas 2% dos advogados cobram pelas consultas jurídicas. A OAB faz campanha pela valorização dos honorários, incluindo materiais informativos para que o advogado cobre as consultas, utilize a tabela de honorários como valores mínimos para que então a classe de advogados seja valorizada.

Cobrar por uma consulta nem sempre é o certo, mas também nem sempre é o errado. Nós advogados, trabalhamos com serviço e assim como muitos restaurantes, que trabalham com produtos e serviços, alimentam pedintes sem cobrar nada em troca, nós também devemos, alimentar àqueles que buscam justiça, com o nosso labor sem cobrar nada em troca.

Inclusive a beleza de se advogar é ver no rosto de um cliente a satisfação de ter sido realizada a justiça. É um sentimento heróico, pois ao alcançar uma vitória você demonstrou com suas palavras e oratória que uma fumaça da justiça que bateu à porta do seu escritório alguns meses atrás (ou anos), agora se tornou um fogaréu.

Consulta cobrada é aquela que você agrega valor para o seu cliente. Uma conversa é diferente de uma consulta. Consulta envolve breve parecer, envolve decisão de escolha de um dos inúmeros pontos de vista do direito. Consulta envolve jurisprudência e encadeação de raciocínio. Consulta envolve a demonstração que o advogado entendeu os fatos propostos e está diante de algumas opções que podem ser sugeridas ao cliente.

Se você consegue entregar na sua consulta os valores acima propostos, então ela deve ser cobrada. Caso contrário ela não gera valor, ela se transforma em conversa, se transforma em pesquisa de internet, bate papo de família, enfim, se transforma em ficção jurídica, história com e.

Marden Gontijo França Filho

Sou advogado apaixonado por tecnologia e direito empresarial e busco levar idéias criativas para empreendedores digerirem melhor o setor jurídico de suas empresas. Ofereço um serviço não tradicional de consultoria em direito digital para adequar sua empresa às novas leis do Mundo digital. Envie-me uma mensagem e vamos bater um papo.

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